Marcas de Slow Fashion para conhecer e se apaixonar

24.2.18
Foto da marca Ayala
 Slow Fashion é um movimento criado através da preocupação com os impactos negativos causados pela indústria da moda ao nosso planeta. É um movimento que preocupa-se com a sustentabilidade e com um consumo muito mais consciente de toda a população, tendo como propósito criar peças atemporais, de boa qualidade e que realmente possuam uma identidade, tudo isto através de um modelo de produção desacelerado e que preza por uma mão de obra justa e devidamente remunerada.

 Uma das maiores dificuldades em vestir peças de marcas Slow Fashion é justamente encontrá-las para comprar por um preço acessível, já que poucas marcas desse segmento são divulgadas nos grandes veículos midiáticos. Eu, por exemplo, só tive conhecimento de marcas com esse propósito a partir do momento em que passei a seguir pessoas que simpatizam com este movimento e colaboram para que ele exista. Portanto, já que hoje eu posso ser considerado uma destas pessoas que simpatizam e contribuem para a causa, me sinto na responsabilidade de compartilhar com vocês algumas das marcas que eu conheço e admiro.

 Antes de tudo é necessário dizer que eu não sou (ou já fui) um cliente ativo de todas as marcas, mas isto não anula o fato de que eu acredito e simpatizo com o propósito de cada uma. Além do mais, acho muito importante compartilhar com vocês marcas de propósitos e posicionamentos diversos, já que nem todos os meus leitores compartilham das mesmas ideologias, biotipos, orientações sexuais e gêneros. Foi justamente através desta reflexão que eu reuni um total de 4 Marcas de Slow Fashion para conhecer e se apaixonar.

Ayala
 Ayala é uma marca Slow Fashion que se preocupa com o bem-estar e autoestima das mulheres, independente de seus tamanhos. Eu conheci a marca através da encantadora Layla Brigido, que nesta última semana posou para algumas fotos com peças da marca, o que me fez acessar a loja virtual e ficar completamente encantado com a beleza das peças.

 Em tempos quando se fala tanto em empoderamento feminino, é essencial que este lugar de fala também seja ocupado por mulheres gordas, que acabam sendo umas das mais afetadas pelo padrão de beleza europeu imposto pelos grandes canais de comunicação. O papel da Ayala e de diversas outras marcas que se preocupam com a beleza do corpo feminino, seja ele magro ou gordo, branco ou negro, cis ou trans, é o de contribuir para essa autoaceitação tão importante para as mulheres da nossa sociedade. 

Lucas Matheus
 Desde que eu passei a utilizar a moda como a ferramenta de comunicação que ela realmente é, uma das minhas maiores buscas foi por roupas sem gênero, roupas com cortes e caimentos que sirvam tanto para homens quanto para mulheres. É por isto que eu fico imensamente feliz quando tenho a oportunidade de compartilhar marcas como a Lucas Matheus, uma marca Slow Fashion que produz peças para todxs. 

 Atualmente a moda agender vêm conquistando cada vez mais espaço dentro deste cenário fashion, algo que me deixa imensamente feliz, pois me traz a sensação de que cada vez mais estamos nos utilizando da moda para comunicarmos quem somos e o que acreditamos. E quando falamos em moda agender não necessariamente precisamos falar de homens vestindo saias, mas de pessoas que vestem aquilo que as deixam confortáveis e que mostram suas verdadeiras identidades.

Snipper
 Snipper é uma marca carioca que tem como objetivo trazer ao mercado uma moda masculina mais casual e que possua a essência do Rio. A marca faz questão de ressaltar a beleza negra e também de utilizar estampas e cores que façam referência à cultura africana.

 Eu conheci a Snipper quando passei a buscar por peças com estampas e cores símbolos da cultura africana. Como eu já disse inúmeras vezes, a moda é uma das minhas principais ferramentas de comunicação, portanto não é surpreendente que eu tenha sentido a necessidade de utilizar peças que afirmem essa minha essência quando eu finalmente passei a me enxergar como negro. É por isso que eu gosto tanto da Snipper, porque ela possibilita que nós, negros, tenhamos acesso a peças que simbolizem a cultura de nosso ancestrais, nos dando outra alternativa de moda e beleza que não a europeia. 

Urban Flowers
 E como já era de se esperar, eis aqui a Urban Flowers, uma das minhas marcas favoritas quando o assunto é Slow Fashion. Para quem não conhece, a Urban Flowers é uma marca de sapatos veganos e artesanais que conquistou muitos consumidores pelos seus lindos designs e pelo seu preço super acessível.

 Confesso para vocês que uma das minhas primeiras preocupações ao parar de consumir peças de Fast Fashion (falo sobre isso aqui) foi encontrar sapatos produzidos fora deste sistema, afinal de contas, roupa é mais fácil de substituir, é só ir em brechós (na maioria das vezes), agora sapatos... Mas felizmente eu estava bem enganado e algumas semanas depois de iniciar essa busca eu conheci a Urban pelo Instagram. Inicialmente eu acreditei que não teria condições de adquirir qualquer sapato, pois são todos muito lindos e diferenciados, mas aí eu entrei no site e pulei de alegria ao ver essas belezuras por apenas R$89,99. É por isto que hoje em dia quando me pedem recomendação de marcas sustentáveis, veganas ou Slow, a primeira que eu sempre falo é a Urban, não só pela qualidade do produto como também pelo custo benefício. 

Bônus: Paninhos
 Essa não é uma marca de Slow Fashion mas encaixa-se muito bem no quesito sustentável e, portanto, decidi compartilhá-la com vocês. A Paninhos é uma marca que tem o objetivo de auxiliar as pessoas a diminuírem o lixo que produzem. No site deles é possível encontrar muitas alternativas artesanais para uma menor produção de lixo, como guardanapos de pano, canudos reutilizáveis de bambu (eu achei isso simplesmente genial), saquinhos reutilizáveis, estojos para talheres, etc... E quase tudo é feito de tecido, daí surge o nome Paninhos.

 Queria aproveitar também para recomendar um blog que é o primeiro a vir à minha mente quando o assunto é lixo zero, que é o Um ano sem lixo. O blog é escrito pela Cristal, e lá ela compartilha muitas alternativas  para te ajudar a diminuir a quantidade de lixo que você produz, o que vai desde produtos de limpeza naturais (inclusive ela também ensinou no canal da JoutJout, clique aqui para assistir) até desodorantes, também naturais. 

_______________________________________

 Eu realmente espero que este post seja útil para todos vocês. Eu tentei trazer marcas com diferentes propósitos e que oferecem produtos para todos os públicos, tudo isso por um preço "acessível". Eu costumava acreditar que quase não existiam marcas Slow que vendessem por preços pelos quais eu poderia pagar, mas hoje eu sei que isto não é uma verdade absoluta, pois toda vez que me disponho a pesquisar por marcas desse segmento eu acabo me surpreendendo positivamente com aquilo que encontro. Portanto, meu maior conselho é: pesquise. Assim como eu, existem muitos outros blogueiros e Youtubers que falam sobre esse assunto e que provavelmente já recomendaram algumas marcas e produtos. 

 E aqueles que estiverem a procura de mais opções podem me chamar na direct do Instagram (@ogustavomendes) que eu ficarei imensamente feliz em compartilhar com vocês mais algumas marcas que eu conheço e que acabei não citando neste post.
  • Compartilhe:

4 motivos para repensar o seu consumo de moda

9.2.18
Foto de: Freestocks.org
 Aqueles que me acompanham há alguns meses já sabem que o consumo de moda e a indústria por trás disso é sempre motivo de muita conversa por aqui, e acredito que assim como eu, vocês também estão se posicionando nesse debate que se torna cada vez mais relevante. Portanto, hoje eu decidi promover uma reflexão sobre o nosso consumo de moda nos tempos atuais através de um post com 4 motivos para repensar o seu consumo de moda.

 Acredito que antes de entrarmos nos nossos 4 motivos, é importante lembrarmos que repensar nossas atitudes não é abrir mão das nossas opiniões ou da nossa identidade. Muitas pessoas sentem uma enorme dificuldade em mudarem de opinião sobre um determinado assunto, porém isto não deveria ocorrer, já que o amadurecimento almejado por todos nós só ocorre através de uma evolução que muitas vezes só é possível por conta da mudança de pensamentos e quebra de preconceitos. Sendo assim, não encare a mudança de opinião como um sinal de fraqueza, mas sim como um sinal de evolução e amadurecimento.

 Ademais, gostaria de já deixar claro que o consumo de moda ao qual eu irei me referir nesta postagem é na verdade o consumo de peças produzidas pelo sistema Fast Fashion, que tem como características a produção, o consumo e o descarte em massa e que precisa ser urgentemente repensado. 
Foto de: Michal Jarmoluk
 Muitas peças possuem uma péssima qualidade. 

 Quando pensamos em um sistema onde tudo é descartado em grandes quantidades, não é preciso muito esforço para chegarmos a conclusão de que isso só é possível porque os produtos produzidos não apresentam uma boa qualidade, afinal de contas, qual o sentido em descartarmos bons produtos? E é justamente ai que mora um dos grandes perigos de se consumir fast fashion, você dificilmente terá peças de boa qualidade, peças como aquelas que seus avós usaram por anos e que hoje ainda são usadas por seus pais ou até mesmo por você (gostaria de mandar um beijão para minha amiga Duda, que é a maior prova de que roupa pode e deve passar de geração em geração, te amo chuchu!).

 Por serem extremamente mais baratas do que as concorrentes, as peças de fast fashion acabam conquistando os consumidores não por seus designs ou pela qualidade que apresentam, mas sim por seus preços, que muitas vezes não chegam a sequer R$49,90. Entretanto, são em situações como essas em que o barato sai caro, pois muitas dessas peças de apenas R$19,99 não permanecer intactas sequer à primeira lavagem, o que acaba levando os consumidores a acreditarem que roupa é um produto descartável.

 Além de tudo isso, as campanhas publicitárias levam a população a acreditar que vale a pena comprar uma peça por apenas R$19,99 simplesmente porque ela custa este valor. Porém, se pararmos para refletir por alguns minutos veremos claramente que esta não é a melhor alternativa, afinal de contas, de que adianta comprar algo barato mas que só poderá ser utilizado no máximo 5 vezes? Não seria melhor investirmos nosso suado dinheiro em peças de qualidade, peças que durem não 5 dias, mas 5 anos? 

Está destruindo o planeta. 

 Um dos principais motivos para repensarmos o nosso consumo de moda é a forma como a industria têxtil está contribuindo para a destruição do nosso planeta. Atualmente existem muitos dados que comprovam o quanto este modelo de produção está impactando negativamente o nosso planeta, e a maior prova disto é saber que a indústria têxtil é a segunda indústria que mais polui o meio ambiente no mundo, perdendo apenas para a indústria petrolífera. Agora me diz: perto do petróleo, uma simples peça de roupa parece até mesmo algo inofensivo, certo? Errado!

 De acordo com uma matéria publicada pela BBC, são usados mais de 70 milhões de barris de petróleo todos os anos para a produção de poliéster, que por sinal demora mais de 200 anos para se decompor. Assustador, não? Pera ai, ainda tem mais. De acordo com o The Guardian, 20% de toda a poluição das águas é produzida pela indústria têxtil, e acreditem, esta é uma porcentagem enorme para uma única indústria. Ademais, vale também ressaltar que só nos Estados Unidos são despejadas 1.2 milhões de toneladas de resíduos têxtil em aterros sanitários por ano.

 Enquanto pagamos R$19,99 por uma simples blusinha, o planeta está pagando um preço muito maior pelo impacto que essas mesmas blusinhas irão causar no meio ambiente. E é através de toda essa reflexão que surgem marcar com ótimos propósitos sustentáveis, criando um sistema que vá na direção oposta ao fast fashion, o Slow Fashion. Em breve estarei compartilhando com vocês o trabalho de algumas marcas incríveis desse segmento.

É "barato".

 Eu sei que este motivo pode parecer banal, mas se pararmos para pensar no porque de este sistema funcionar, o principal motivo é: porque é barato. Dificilmente um sistema de produção e consumo em massa funcionaria se os produtos vendidos não fossem de baixo custo, e é justamente disto que a publicidade se aproveita para nos fazer acreditar que precisamos consumir tudo isto para estarmos "na moda".

 Se existe uma coisa na cultura do brasileiro que me irrita é essa necessidade de que tudo precisa ser barato. Primeiramente, precisamos compreender que algumas coisas não são caras simplesmente porque existe alguém querendo lucrar de maneira desonesta em cima daqueles produtos, portanto é necessário levarmos em consideração que quando uma camisa custa R$150,00 é porque em seu processo foi necessário desembolsar dinheiro para que a matéria prima fosse plantada, cultivada, colhida, lavada, fiada, tingida, costurada, estampada, empacotada, transportada... até chegar nos cabides de uma loja. Sendo assim, não faz o menor sentido uma peça de roupa, por menor que seja a sua qualidade, ser vendida por R$19,99, pois só no processo de cultivo de sua matéria prima já foi gasto muito mais do que isto. #QuemFezMinhasRoupas?

Você nunca estará na moda.

 Quando eu digo que você nunca estará na moda, eu não me refiro à sua capacidade em se vestir de acordo com as tendências, mas sim à sua capacidade de acompanhar essas tendências. Coleções que antes costumavam sair de acordo com as estações, agora saem a cada semana com um tema diferente, fazendo com que o consumir acredite que para estar "na moda" ele precisa adquirir novas peças a cada semana. E sabe qual é a pior parte? Não podemos culpar o consumidor.

 Desde 2014 a indústria da moda vêm produzindo mais de 52 micro-coleções durante um único ano, algo que só evidência a produção em massa dessas peças. Portanto, você nunca estará na moda pelo simples fato de que a indústria da moda é projetada para te fazer sentir "fora de moda" após uma única semana. É por isto que eu digo que não podemos culpar o consumidor, justamente porque a própria indústria o leva a se sentir ultrapassado.

 Ademais, vale sempre lembrar que a nossa moda somos nós quem fazemos. Moda é comunicação, é uma ferramenta para comunicarmos quem somos, o que queremos e no que acreditamos. É uma das maneiras mais eficientes de protesto, e não podemos negar este poder ao banalizá-la como simples peças descartáveis.

_______________________________________________________________

 Acredito que já está mais do que óbvio para todos nós que este sistema denominado fast fashion está impactando negativamente a vida de muitas pessoas e, principalmente, do nosso precioso planeta. Quando repensamos o nosso consumo de moda e passamos a consumir não somente peças, mas também causas, estamos colaborando para um sistema justo e que ao invés de prejudicar, ajuda. 

 Em breve estarei compartilhando com vocês algumas marcas que se preocupam com o impacto que causam no planeta e que possuem ideologias admiráveis. Mas por hora eu gostaria que vocês realmente repensassem a forma como estão consumindo a moda, que vocês reflitam se realmente concordam com tudo isso e se querem colaborar para que este sistema continue atuando da mesma maneira. Na verdade, não somos totalmente responsáveis por tudo isto, mas temos o poder de fazer com que muitas coisas mudem para melhor
  • Compartilhe:

9 perguntas para te ajudar a se livrar de coisas que você não precisa

10.1.18
  Eis que chega o dia em que você se olha no espelho e decide que se tornará uma pessoa minimalista, afinal de conta, por que não se aventurar nesse estilo de vida que só tem coisas boas a te trazer? Porém, é somente na hora de por em prática que a gente percebe o quão difícil é adotar este estilo de vida, e então começamos a questionar nossa capacidade de persistência e o nosso verdadeiro propósito com tudo isso.  É, eu sei como é isto, pois é justamente por esta fase que eu estou passando.

 Eu tenho lido bastante sobre o assunto, e parece que em todos os lugares, a primeira dica que todo mundo nos da é: livre-se daquilo que você não precisa. Na teoria parece até fácil, não é? A gente logo pensa naquela camiseta que está guardada no fundo da gaveta há bastante tempo, ou então naquela calça que a gente ganhou de presente e nunca usou porque achou horrível. Mas vocês já pararam para realmente se livrar dessas coisas? Garanto para vocês que é uma missão bem mais difícil do que parece.

 Foi justamente em uma situação como essa que eu percebi que o verdadeiro desafio não está em se livrar de coisas inúteis para você, mas sim em perceber que elas são inúteis para você. É por isso que eu acredito que o primeiro passo a ser seguido não é se livrar de tudo aquilo que você não precisa, mas sim identificar tudo aquilo que você não precisa. E para a gente conseguir iniciar esse processo de identificação é necessário que sejam feitos alguns questionamentos pessoais para nos ajudar no processo, e foi pensando nisso que eu cheguei a 9 Perguntas para te ajudar a se livrar de coisas que você não precisa. Ah, e fica aqui comigo até o final porque ainda tem uma checklist gratuita para você colocar em prática tudo que aprender neste post.

Quais os benefícios que isto me traz?
 Esta é uma pergunta primordial e que deve ser feita para qualquer coisa que você possui. Tudo o que a gente compra nos traz ou pelo menos deveria trazer algum benefício, então é sempre importante a gente identifica-lo de preferência antes de realizar a compra. Uma blusa de frio, por exemplo, te beneficia ao manter-lhe quente em dias frios, assim como a sua carteira te beneficia pela capacidade de manter todos os seus documentos em um único lugar. 

 Sabendo disso, olhe para a coisa que você tem em mãos agora e se pergunte: quais os benefícios que isto me traz? Se você não consegue encontrar as respostas, então está na hora de se desfazer disto, afinal de contas, por que você ocupa espaço com algo que não lhe traz qualquer benefício? Mas agora, supondo que você encontrou algumas respostas, questione-se se elas são realmente válidas ou se você está tentando se convencer de que são só para não se desfazer disto.

O quanto eu usei isto no último ano?
 Supondo que você identificou quais benefícios isto te traz, está na hora de se questionar o quanto eu usei isto no último ano. Se isto ficou o último ano, ou os últimos meses, parado em sua estante ou guardado em seu guarda-roupa, questione-se por que isto aconteceu. Por que você deixaria de usar algo que pode lhe trazer benefícios e pelo qual você pagou? As respostas para essa pergunta podem ser inúmeras, já que pode existir muitos motivos, como por exemplo medo do que as outras pessoas iriam pensar, mas neste caso você não concorda comigo que é melhor se desfazer disto ou então começar a dar menos importância para o que as pessoas podem ou não achar? Fica ai o questionamento.

Eu compraria isto hoje? 
 Agora imagine que você esteja passando pela mesma loja onde comprou isto e pergunte-se: eu compraria isto hoje? Muitas vezes compramos coisas por impulso ou porque simplesmente estão na moda, e é através de questionamentos como estes que percebemos isto, pois você dificilmente compraria esta coisa hoje se tivesse a oportunidade. 

 Vamos pensar em nossas roupas. Uma das YouTubers que eu mais admiro, a Nátaly Neri do Afros e Afins fez um vídeo sensacional sobre Moda consciente, e nele ela fala bastante de como as nossas roupas falam muito sobre quem somos e sobre o que queremos dizer para o mundo, e referindo-se a isto ela faz a seguinte citação: se essa é a sua história porque ela vai mudar na próxima estação? Então a minha pergunta é: se as roupas que você veste representam a pessoa que você é, por que você não compraria mais esta peça nos dias de hoje? Será que é porque você mudou tanto durante este período? Ou será que é porque você não está comprando peças com as quais se identifica, mas sim peças fabricadas e divulgadas de maneira à te faz acreditar que é o necessário para te deixar bonitx? Pare por alguns minutos e reflita sobre isto.

Eu já possuo itens semelhantes?
 Essa é uma pergunta que deve ser sempre feita antes de comprarmos qualquer coisa ou então quando quisermos nos livrar de algo. Hoje sabemos que o consumismo passou a ser um estilo de vida para a realidade de muitas pessoas, principalmente para nós da cidade grande que estamos a todo momento em contato com mais e mais publicidade, e por isto acabamos desenvolvendo o costume de comprar coisas que nós já possuímos mas que as estratégias de marketing nos convence de que precisamos. 

 Vamos fazer um exercício? Abra agora o seu guarda-roupa e procure por aquela blusinha/camiseta mais básica que você tem. Que cor ela é? Branca? OK, agora olhe para o seu guarda-roupa novamente e procure por todas as outras peças que sejam exatamente do mesmo estilo. O que muda em todas elas? A cor? Um simples detalhe? Você consegue entender que você não precisa de todas essas peças? 

 Hoje se tornou algo muito comum para a maioria das pessoas comprar peças de R$19,99 só porque elas custam R$19,99, e não porque elas realmente são necessárias. Ah, eu já tenho uma dessas em casa, mas é de outra cor. Se eu comprar essa aqui eu posso usar com aquele shorts que está guardado e com aquele... Consegue perceber o quanto isto acaba se tornando um ciclo vicioso? E no final das contas você acaba ocupando todo o seu espaço com roupas muito semelhantes, e eu aposto que você não usa todas elas.

Eu realmente pretendo utilizar isto algum dia?
 Esta é uma pergunta que só pode te ajudar se você for completamente sincerx consigo mesmo. Eu entendo que você pode ter alguma coisa que lhe traz um benefício e que não seja semelhante a nada que você já possua, mas então está na hora de se perguntar se você realmente pretende utilizar isto algum dia, afinal de contas, para que guardar algo que pode nunca lhe ser útil? 

 Isto acontece muito com coisas que compramos para ocasiões específicas, como por exemplo um vestido de madrinha de casamento, que provavelmente você só utilizou uma vez em toda a sua vida e não pretende mais utilizar. Será que não é melhor se desfazer disto?

O que seria da minha vida sem isto?
 Aqui está a melhor pergunta que você poderia se fazer para te ajudar a se livrar de coisas que você não precisa: o que seria da minha vida sem isto? Se você já está considerando se desfazer disto, então é porque provavelmente a sua vida sem isto não seria tão ou nada diferente do que é agora, e eu acredito que isto já seja um ótimo motivo para você dar adeus a esta coisa e passa-la adiante. 

Eu estou guardando isto por valores sentimentais? 
 Esta é uma das perguntas mas fáceis de se responder, porém é justamente aqui que mora o perigo. Muitas vezes não queremos nos desfazer de algumas coisas porque elas acabam tendo um valor sentimental para nós, e eu compreendo isto. Entretanto, acredito que há um diferença entre valor sentimental e recordação. 

 Na minha percepção, algo com um valor sentimental é algo que te toca de uma maneira muito forte, como por exemplo quando guardamos algo de alguém que era muito importante para nós e que infelizmente não faz mas parte de nossas vidas. Nestas situações eu entendo que aquela coisa pode significar muito para você, e por isto não lhe julgo por se deixar levar por estas emoções.

 Já algo com valores sentimentais totalmente relacionados a recordações, eu acredito que possam sim sair da sua vida. Eu não sei da onde veio isto, mas parece que fomos ensinados a acreditar que algumas memórias precisam de algo físico para serem recordadas. Ah, eu guardo esta camiseta porque ela me lembra do dia em que eu conheci a minha namorada. Vamos fazer outro exercício agora? Deixe todo o seu lado emocional desligado por alguns segundos e pergunte-se se você realmente precisa disto para lembrar de algo. Se você souber responder esta pergunta racionalmente, provavelmente a resposta será que não, você não precisa. Então por que continuar guardando isto? 

 Toda vez que eu me vejo em conflito para me livrar de algo com um valor sentimental eu tento pensar em quantas experiências boas outras pessoas também podem ter com esta coisa, e isto acaba me ajudando bastante no processo. Então uma dica que eu dou para estes casos é: seja mais empático.

 O espaço que isto ocupa poderia estar sendo ocupado por algo mais importante?
 Aqui está outra reflexão muito importante. Eu sei que esta pergunta pode não fazer sentido para todo mundo, afinal de contas, têm pessoas que não precisam se preocupar com espaço para guardar suas coisas. Mas será que ainda assim, não é importante parar para pensar o quanto o espaço que isto ocupa poderia estar sendo ocupado por algo mais importante e que lhe traria mais benefícios? 

 Aqui eu tenho um exemplo próprio para compartilhar com vocês. Minha gaveta de calças está completamente cheia (bem daquele jeito que para ser fechada é preciso apertar tudo), e o que me deixa mais incomodado é que algumas das calças que estão lá eu não uso há bastante tempo, e também não tenho a menor pretensão de usar. Então por que eu não me desfaço dessas peças? Além de melhorar o estado da gaveta, também abrirá espaço para outras calças, que eu posso comprar quando sentir que realmente estou precisando. Vê como se livrar de coisas que você não precisa pode ser bem mais útil do que parece? 

Eu ainda preciso disto? 
 Provavelmente você está se perguntando porque esta pergunta é a última da lista e não a primeira. Bom, eu vejo essa pergunta como a última esperança e chance para que você seja sincero consigo mesmo. Se depois de todas essas perguntas aqui em cima você ainda não se convenceu a se livrar desta coisa, então aqui está a última que deve ser feita e respondida com total sinceridade: eu ainda preciso disto? 

 Muitas vezes adquirimos coisas que nos são úteis por um determinado tempo, e após este tempo elas passam a não ter tanta utilidade para nós. Sendo assim, é este o momento em que você deve parar e perceber que está na hora de passar esta coisa adiante, de compartilhar com outras pessoas para que elas também tenham boas experiências com isto. Talvez a chave da felicidade não seja o ter, mas sim o compartilhar.
  • Compartilhe:

Como foi conhecer a Brasil Eco Fashion Week

25.11.17
 Muitos de vocês podem não saber, mas rolou nesta última semana (20/11 - 24/11) a Brasil Eco Fashion Week, a primeira semana de moda sustentável do Brasil. O evento aconteceu aqui na cidade de São Paulo, no espaço Unibes Cultural, do lado da estação Sumaré do metrô, e é claro que eu não poderia deixar de conferir esse marco tão importante para a moda brasileira.

 Eu fiquei sabendo deste evento já no dia 20, através da Marieli Mallmann, que compartilhou sobre em seu Instagram. Acontece que infelizmente eu só pude comparecer ao evento no dia 21/11 de manhã, que foi o dia em que a BEFW oficialmente começou. Porém, apesar de não ter visto e participado de todas as atividades que iriam ocorrer durante a semana, eu decidi fazer este post para compartilhar com vocês como foi para mim vivenciar pela primeira vez um evento de moda, e ainda por cima com o qual eu me identificasse.


 Confesso que assim que eu fiquei sabendo do evento eu fui correndo no site ver como tudo iria funcionar, e tamanho foi o meu alívio quando eu percebi que a partir do dia 21/11 a BEFW estaria aberta para todo o público, algo que até me surpreendeu um pouco, pois eu achava que seria naquele estilo SPFW, onde só entra quem realmente é convidado.

 Não passei muito tempo no evento, mas conferi tudo o que pude no período em que estive lá. Inicialmente participei de uma palestra sobre o movimento Fashion Revolution aqui no Brasil, e foi a partir daí que passei a conhecer mais sobre o mesmo, que já vem há alguns anos demonstrando sua preocupação com o consumo de moda atual e fazendo o que pode para conscientizar as pessoas, seja com palestras, oficinas, debates, ou até mesmo através das redes sociais com o uso de hashtags como #quemfazminhasroupas.


 Além da palestra eu consegui também ver o espaço onde estavam as marcas, todas com conceitos e produtos sustentáveis. Entre elas eu consegui conhecer muita coisa bacana, como maquiagem, sapatos, peças jeans, peças com tingimento orgânico, desodorantes, peças para a galera fitness... enfim, tinha de tudo, então a partir de hoje não aceitarei mais a desculpa de que não existem marcas que produzam X peça de forma sustentável. Existe sim! É verdade que o valor é bem mais salgado do que o que pagaríamos por peças semelhantes em lojas de departamento? Sim. Mas é questão de ser uma peça que vale realmente o preço pelo qual é vendido, sem falar que é muito mais do que vestir uma roupa, é vestir uma causa. 

 Quanto ao que eu achei de vivenciar tudo isso, eu só posso dizer uma coisa: em poucos momentos da minha vida eu me senti tão bem e tão pertencente à algo quanto me senti naquele pouco tempo em que estive no Brasil Eco Fashion Week. É como se eu finalmente tivesse encontrado algo do qual eu quero participar, seja diretamente na produção dessas peças incríveis ou na divulgação para que esta causa chegue cada vez mais longe. Foi incrível poder ver tanta gente em total sinergia, todo mundo defendendo a mesma coisa: o nosso planeta. Espero ter a oportunidade de participar de um evento como este futuramente, e assim fazer o que estiver ao meu alcance para conscientizar aqueles que me cercam.


  • Compartilhe: